BLOG DE FICÇÃO, EXERCÍCIO LITERÁRIO E ALGUMAS VERDADES.
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quarta-feira, março 22, 2006
Sisifismo Sexual ou Carregar Pedra é Mais Fácil ou Rindo com as Hienas
Mais um homem ficou pra trás. Nem lamento. Mal notei... Ainda. É, porque não adianta comemorar estar sendo forte, fazendo o que tem que ser feito, vivendo a vida sem medo; não vai durar muito essa auto-suficiência toda. Same old shit. Daqui a pouco vem o vazio. Não o vazio existencial, que já não existe aos quase 40 de sabedoria; o buraco é mais embaixo. Como diz uma sábia amiga minha, "a gente precisa fuder com alguém". É, algumas mulheres precisam. E aí começa a história patética, aquela produção toda, o velho jogo do acasalamento cheio de preguiça, toda a engenharia de catar um representante do gênero masculino nesse zoológico humano que nos cerca. Os olhares reciclados pela lembrança de algum amor inventado no passado; os sorrisos amarelos; as baixadas de cabeça providenciais simulando alguma timidez; algumas viradas de cara; alguns sinais confusos de desinteresse... Pestanas cheias de rímel; lápis nos olhos; cabelos soltos. Algum molejo no quadril que se pretende trabalhar no colchão... Ai, ai. E fingir encantamento por um sujeito que pensa estar disfarçando suas manias; que pensa ser irresistível com sua displicência localizada na barriga - e torcer para que ela não se revele também onde não pode haver moleza. E a gente olha praquele sujeito esquisito, tão diferente do amor ideal previsto na mocidade, nota seus cabelos brancos, suas entradas, sua falta de cabelos até, percebe todos os seus truques, todo o esforço em parecer tão viril e ativo, e ainda acha que o problema está resolvido."Ok, esse dá pra encarar", conclui-se com alguma pressa. Damos nossa olhada de aprovação, passamos a mensagem de interesse e esperamos o bote. Quando demora a gente mesmo ataca . Aí, é aproveitar o que dá, e não reclamar se não der em muita coisa. Se for bom, melhor. Se for ruim, é reunir forças para a próxima investida - até que a gente pare com essa mania de fuder com alguém.
Alguns caras parecem que não me entendem, e eu penso quase em voz alta: - Eu tô aqui só pela foda. Bebe logo esse uísque, que eu não agüento mais rir das suas piadas. Mas fico calada; não vou matar a galinha dos ovos de ouro ( ou o galo? Dos ovos de ouro??!!). E sigo na função de fazer o cara acreditar que ele é interessante. (Pelo menos até que me prove o contrário, todo sujeito mais ou menos pode ser interessante...). Rárárárará (Como é bom escrever bobagens num blog. Cadê a polícia das letras? Alguém me pare, que eu tô ficando perigosa). Até esqueci do que está para me faltar... Rárárárá (Cadê a madeira? Mangalô três vezes - só por hábito).