BLOG DE FICÇÃO, EXERCÍCIO LITERÁRIO E ALGUMAS VERDADES.
Acredite nas mentiras; desconfie das verdades.
Ah, o espaço para delírios é mais embaixo. Mais embaixo, sempre, né?
Bem-vindo. Deixe um comentário.
sábado, março 25, 2006
Eu tenho medo de fotos. De posar pra elas, de estar nelas, de me ver nelas. Não, não é vaidade. Se saio bem, fico agradecida pela sorte, talvez até achando que mereça; se saio mal, encaro numa boa, é fato, está documentado - e se eu for feia, que mal há nisso? Tenho menos direito à vida por acaso? O medo que sinto das fotos me pega de assalto quando vejo uma foto minha bebê, no colo de minha mãe toda feliz (ah, tá, papo pra analista... Dever de casa pra próxima sessão...). Sinto que tenho que prestar contas àquelas duas. Tenho que dar uma satisfação praquela mãe, e pior, falar praquele bebê que tá tudo bem, que vou sendo feliz de algum jeito aqui nesse hospício intergaláctico chamado Terra. Nem sempre é fácil, a gente sabe. Olho minha mãe tão sorridente e aquele bebê lindo que eu amo mais que a mim mesma e vejo que tenho que fazer algo por eles. Por que não cuidei pra que tudo sempre corresse bem com aquela criança? Por que só aprendemos quando parece ser tarde? Não, já estou melhor. Cheguei tarde em mim, mas cheguei ao menos, e hoje estou por aí, andando na vida com alguma sabedoria. Eu escrevo não pra desabafar, mas pra documentar que um dia eu pensei. E que pensar não deve ser algo ocasional e obrigatório. Melhor é pensar sem sentir, agir como quem nem vê, e fazer o melhor sempre. Mas aquele bebê e minha mãe na foto têm toda a história do mundo; a história de todas as mães e todos os bebês. Na hora da foto estão lá, lindos, do jeito que dá, mas sempre lindos.