BLOG DE FICÇÃO, EXERCÍCIO LITERÁRIO E ALGUMAS VERDADES.
Acredite nas mentiras; desconfie das verdades.
Ah, o espaço para delírios é mais embaixo. Mais embaixo, sempre, né?
Bem-vindo. Deixe um comentário.
domingo, julho 17, 2005
A gente se olhou daquele jeito e tudo poderia acontecer. Não, não tinha sido a cerveja, não tinha sido a fome, nem a pressa de que aquele olhar acontecesse. Foi um olhar de encontro, de reconhecimento, de autorização. Olhar que se impôs sem pedir licença a nenhum de nós; olhar que não poderia ser premeditado, inventado nem dissimulado. Olhar que não saberia se repetir para outra pessoa. Olhar de nós dois, de um para o outro. E esse olhar só existe quando é recíproco; não se olha assim sozinho, só se olha assim com o outro. Um olhar que não pensa em porquês, em comos, em quandos. Olhar que só olha e confirma. Mesmo que não se saiba que nome dar ao que ali foi confirmado. Foi um olhar de certeza, de pertencimento, de entrega, de união, de muitas palavras não pronunciadas e desnecessárias. E as palavras fizeram silêncio sem que se contasse com isso. O que tinha que acontecer estava acontecendo e sabia o que fazer. Não éramos nós, era aquele olhar. Estamos olhados até agora. Com olhos que trocaram de lugar um com o outro. O olhar dele era meu, ele olhava de mim para ele; eu olhei com os olhos dele, eu estive dentro daqueles olhos. Às vezes uma sexta-feira dá mais certo que as outras. posted by me 17.7.05