BLOG DE FICÇÃO, EXERCÍCIO LITERÁRIO E ALGUMAS VERDADES.
Acredite nas mentiras; desconfie das verdades.
Ah, o espaço para delírios é mais embaixo. Mais embaixo, sempre, né?
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segunda-feira, maio 23, 2005
As coisas têm sua exata medida, têm seu reflexo, seu tamanho, sua marca, sua impressão no tempo e espaço. Elas são o que são. E não mais nem menos. E não outras palavras. As coisas não são palavras. As coisas são ações, são fatos, são consistência de si, são existência, são existir.
E a gente fica ali vivendo uma coisa que poderia ser diferente, vendo o que acontece como sendo o que é possível - apenas o possível, às vezes desajeitadamente o possível.
E as coisas mal feitas também são coisas, também são o que elas podem ser, do jeito que deu.
Como estar pela metade? Como estar com medo? Que tipo de pessoa é essa? Do tipo que finge que vive, enquanto não morre? Que faz com medo o que era para se fazer por inteiro? E, mesmo com medo, acha que isso é que é ser feliz?
Para tudo há que haver um envolvimento mínimo necessário. E quanto é o mínimo, nem sempre se acerta. Menos que o mínimo não constrói.
E eu que só queria viver tive que raciocinar. Raciocinar é uma merda. A gente só tem que raciocinar quando algo já deu errado. Viver é respirar. É rio que flui, é caminho que se anda. Não é pra ficar pensando em tudo, pensando em como se faz. É pra se fazer.
E eu que só queria viver tive que ouvir que minha verdade não fazia sentido ali. Que aquele era o lugar do medo e da mentira. E eu não caibo lá.