BLOG DE FICÇÃO, EXERCÍCIO LITERÁRIO E ALGUMAS VERDADES.
Acredite nas mentiras; desconfie das verdades.
Ah, o espaço para delírios é mais embaixo. Mais embaixo, sempre, né?
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domingo, setembro 12, 2004
De calça de pijama e soutien em frente ao teclado
Estou no meio de mais uma arrumação no meu quarto. Hoje me dedico a organizar os sapatos. Volta e meia dou uma geral, troco as roupas de lugar, separo o que não me serve, ponho à vista o que não tenho usado, invento outras combinações... Flora, grande amiga da família - pequena em estatura, verdade, tem a altura da minha filha de oito anos - tem explicações muito pessoais para as bagunças que fazemos, algo a ver com ser o reflexo da bagunça que vai por dentro da cabeça. Não sei se concordo, mas o que sinto é que pôr as coisas em ordem organiza a cabeça também, e que é quando eu estou mais cheia de pensamentos desencontrados e questiúnculas inúteis que resolvo arrumar as coisas de casa. E depois da organizada sempre me sinto mais inteira.
Estou com dois clips no cabelo, porque ainda não posso prendê-los para não marcá-los, como me ensinou o cabeleireiro que fez minha escova progressiva. É uma escova com uma carga química que promete recuperar os fios e deixar os cabelos mais bonitos, sem ter que fazer escova depois de lavar. Não que eu fizesse escova, nem gosto, porque fica meio lambido, mas meus fios estavam elétricos e bem quebrados; fiz mais como tratamento mesmo. Tomara que funcione.
Agora, depois de ter dado um retoque fantástico no meu nariz e investido no cabelo, estou muito mais bacana. Já não faço careta pro espelho. A beleza só atrapalha a quem não a tem mesmo. Agora que estou quase o melhor de mim, estou me sentindo levinha, levinha. Já penso até em deixar o namorado. Ando com preguiça de fazer sexo. Má vontade mesmo - sabe como é? Não sabe? Sorte sua. Mas eu adoro sexo... Tudo bem, é um mero transtorno bipolar concentrado na pelvis. Tem dias em que está solta, solta, tem dias que cama só me dá mesmo vontade de dormir. Dormir é bom demais!
O namorado me trouxe de volta no sábado à noite porque eu não queria nada com ele. Quando cheguei na casa dele a promessa era de um reveillon fora de época com muita sacanagem. Estávamos animados. Eu já sabia que a minha pilha estava fraca, mas esqueci do cansaço quando começamos a nos beijar no sofá da sala; rapidinho nos livramos das roupas e fomos pra cama. Foi sodoma-e-gomorra total - sabe aquele gozo de ver a morte? Foi tão intenso, mas tão intenso que acabou com toda a minha energia. Foi como se eu estivesse sido desligada da tomada. Entendi o velho clichê do cara que goza e dorme na seqüência. Precisava dormir. Fiquei com preguiça de sexo. E o namorado ficou puto. Ele às vezes é meio insaciável mesmo. Eu estava saciadíssima, tive sexo pra uma semana. Joguei a toalha. Assim que ele reivindicou mais disposição só consegui balbuciar "Me leva pra casa?". Deu uma briguinha, mas acabei tomando um banho e partindo em retirada. Saudades da minha caminha.
Meia hora depois de já instalada sob meus lençóis o bofe me liga querendo respostas. Vai ver só estava checando se eu estava em casa mesmo; sei lá. Ele sempre acha que estou ciscando por fora. Eu, hein, mal tenho dado conta de um. Disse pra ele que não ia prometer mudar nem nada. Ele ameaçou não ter como continuar assim e tal. Estava com sono e com preguiça. Quero minha vida e meu tempo só pra mim, pô. Se não tiver bom, vai procurar outra. Ah, cansei. Ter uma cama e dormir era tudo o que precisava. Ele disse que era para eu pensar. Pensar??? Ando cansada demais pra isso.