BLOG DE FICÇÃO, EXERCÍCIO LITERÁRIO E ALGUMAS VERDADES.
Acredite nas mentiras; desconfie das verdades.
Ah, o espaço para delírios é mais embaixo. Mais embaixo, sempre, né?
Bem-vindo. Deixe um comentário.
terça-feira, setembro 23, 2003
O namorado era pessoa complexa e de complexos. Tinha defeitos e uma grande qualidade: amante melhor nunca passara na vida dela. O resto valia a pena, ela não tinha a alma pequena - e Fernando Pessoa aprovou sua decisão quando disse a vida assim.
Vamos tirar o Pessoa dessa história e colocar a pessoa de quem falávamos. Jota, ah, Jota, Marita nunca fora tão feliz no sexo antes – e olha que sempre deu um jeito de ser feliz na cama. Ele era a carne dela, o cheiro dela, o gosto dela, a textura que o corpo dela sempre procurou nos homens errados. Ele era o homem errado mais certo que ela já teve.
Marita era feliz com Jota. Era e ainda é - é que sempre se enxerga o passado com mais facilidade que o instante. Jota tinha acabado de ligar para ela para agradecer sua oferta de empréstimo do carro para ele ir ao enterro de um amigo, o carro dele estava pintando e por dez dias Marita tinha se colocado à disposição dele sempre que o carro lhe faltasse. Não só ela, mas o carro poderia ser dele a qualquer momento. Não por gentileza, mas por amor.
Marita gostou quando Jota ligou para agradecer mais uma vez e se revelou cheio de tesão, querendo estar com ela no dia seguinte. Era encantador ser desejada por um homem tão desejoso e desejável - sentimento que as palavras não traduzem. É quando a pornografia e a poesia se encontram. Coisa mais linda. E a pornografia se torna essencial para explicar a poesia da carne.