BLOG DE FICÇÃO, EXERCÍCIO LITERÁRIO E ALGUMAS VERDADES.
Acredite nas mentiras; desconfie das verdades.
Ah, o espaço para delírios é mais embaixo. Mais embaixo, sempre, né?
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domingo, fevereiro 19, 2006
(Jogando homem fora)
Se você fosse um cara legal e quisesse se apaixonar por mim, até que poderia ter sido bom. A carcaça ainda funcionava; deu pro sexo algumas vezes. Até que as vezes ficaram mais escassas; fomos ficando mais longe; e me locomover por causa de uns 17 centímetros de carne rija já não me empolgava tanto. Nos deixamos quietos. A carne quicou um pouco; depois parou. O arrepio se foi. O vento na barriga sossegou. Nossos corpos adormeceram um pro outro. Nos perdemos de vista. Você não conta mais. Não. Sim. É assim que é. posted by me 19.2.06
A coisa mais verdadeira que já senti dos meus amores falsos foi a dor do fim. Do fim que não teve motivo, do início que não teve motivo, da dor que era mais sentimento que todo o amor não vivido e premeditado como palpite ruim. Se não era amor de verdade, por que essa dor, que é de verdade e mais intensa e bela que todo o amor que não existiu? A morte de algo que não nasceu. E a morte de algo que não nasceu é uma dor horrorosa, quem já teve sabe. Até que ponto o que poderia ser seria? E esse gosto tem que nome? Essa quase dor tem que tamanho? Dos meus falsos amores quero só a dor do fim. Quero sempre sentir essa dor, para me lembrar dos amores que não tive, que nem precisei ter para poder ter essa dor que me encoraja a viver e a nem ligar para minha falta de amores. Porque às vezes o melhor de um amor é a sua dor. posted by me 12.2.06
Dá licença que eu estou bem pra caralho? Dá licença de eu ser feliz do meu jeito? Eu vivo a realidade, vivo as coisas que se apresentam - tá, tudo bem, algumas vezes eu vou buscar, outras eu não encontro... Mas a vida é assim mesmo. É pra ser vivida, não lamentada, fantasiada... Eu tô em paz com o meu agora, eu não tô esperando nada, a não ser o tempo que ainda tenho, para usá-lo quando for a hora. E o que adianta achar que se o ontem fosse hoje seria diferente? Que se o amanhã fosse agora a gente seria mais feliz? O que interessa de fato é esse vento no rosto, o copo d'água que preciso beber, essa roupa que preciso tirar. Então eu venho aqui e escrevo isso pra ninguém. E se ninguém ler, já foi bom. Eu tô vivendo a vida do meu tamanho. posted by me 6.2.06