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{quinta-feira, novembro 25, 2004}

 
Sexo e Contexto
O sexo delivery, o sexo drive-through e suas limitações.


Superada a dor do fim do relacionamento, eu sabia que teria que passar também por essa etapa, a falta de sexo. Não que não se encontre sexo em qualquer esquina, literalmente ou por força da mídia - eu já me desentendi com namorado até por causa de outdoor de gostosa, mas isso é maluquice minha.
Pensei que fosse conviver numa boa com a falta de sexo ou que fosse arrumar alguma solução provisória enquanto um novo eleito não se apresentasse ao meu coração. Fui vivendo assim, entre desconfiada e segura que na hora do aperto, do amasso, da vontade, da faxina contra teia de aranha haveria de existir um homem com disposição pra me quebrar um galho. O problema não era achar algum cavalheiro que me fizesse esse favor, o problema era gostar da medicação.
Na verdade já sabia que não seria tão fácil assim ficar em dia com minha carne; o tesão da mulher fica parte no corpo parte no coração, não é lá muito localizado nas partes pudendas, e a razão, ou a falta dela, sempre se mete quando o que se pensava querer fosse só um aconchego masculino.
Negociei com meu ex-namorado e ele acabou topando ser meu homem entressafra. Tudo bem que não foi fácil convencê-lo de que poderia ser uma boa essa despromoção, tirá-lo do cargo de namorado e colocá-lo no de amante provisório. Claro que a sintonia e os três anos de convivência contaram, ele também não estava muito a fim de todo o processo de adaptação de início de relacionamento com alguém que não fosse minimamente viável. E como a cidade parece coalhada de parceiros inviáveis, ficamos resolvidos assim, ele e eu ainda teríamos nossos encontros.
A coisa foi indo capenga, capenga. Eu me sentia detestável naquele papel, totalmente canastrona, tentando me convencer que ainda valia a pena estar com ele algumas vezes para suprir um desejo que não estava mais ali pra ele, nem pra ninguém. Mas fui tentando... A gente se dava muito bem na intimidade, mas eu não queria mais viver essa história de amor fracassada. Estava mesmo difícil; tinha sexo 'bem feito', mas não tinha contexto. E o que é do sexo, por melhor que seja tecnicamente, quando o contexto não contribui? Virar estepe um do outro não estava funcionando...

Conversando com uma amiga insatisfeita com seu namoro acabei tendo um insight. Nós, mulheres que continuamos por aí tentando nos divertir com os homens errados enquanto não aparece um do nosso número não estaríamos contribuindo para o nosso próprio fracasso? Eu me dei conta que o que estamos fazendo é estacionando na vaga errada (não sei se a expressão estar mal parada vem daí, mas eu a entendi assim), explico melhor, imagine um carro rodando num estacionamento à procura de vaga, procura, procura e não acha uma grande, perto, na sombra, até que pára de qualquer jeito, no sol, na curva, longe e acha que fez o melhor; mas quem sabe, se continuasse procurando, poderia flagrar uma vaga em outro lugar, desocupada, do tamanho do carro, na sombra... Quem pára de procurar tem mais é que se contentar com qualquer vaga; quem está insatisfeita, que ligue o carro e procure outro lugar pra ficar. Explicando aqui ficou meio estranho, mas senti claramente isso; não adianta ficar tapando buraco (ops... sem trocadilho...) com o ex-namorado quando o que se quer é história de amor de verdade e sexo com contexto palpitante etc.

E o sexo delivery e o sexo drive-through com isso? Aqui vai só um glossário rápido pra você entender melhor: O sexo delivery é como aquela comida que você pede em casa quando está faminta - e 'quem tem fome, tem pressa'; o sexo drive-through é quando a Maomé vai à montanha e pega o homem no habitat dele, freqüenta o bofe e volta pra casa.

posted by me 25.11.04

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