BLOG DE FICÇÃO, EXERCÍCIO LITERÁRIO E ALGUMAS VERDADES.
Acredite nas mentiras; desconfie das verdades.
Ah, o espaço para delírios é mais embaixo. Mais embaixo, sempre, né?
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sexta-feira, outubro 29, 2004
Quantos dias sem olhar para o monitor. Andei desligada, desconectada do mundo. Andei mais em mim. Talvez. Chega, comecei a querer fazer texto. Detesto isso. O texto tem que ser feito sozinho; sair das minhas mãos como se saísse de um transe. Mesmo assim, ou talvez, mesmo por isso, andei tendo uns insights. Não sei do que servem - nunca sei - mas teve coisa legal. Uma sensação de uma inteligência forte em mim, de um tipo de inteligência cuja utilidade não se conhece; me senti com essa forma estranha de inteligência em mim... E essa idéia kafkaniana poderia servir para bons textos, se eu soubesse escrevê-los. Outra inspiração que me bateu foi a resposta à pergunta se sou boa de cama (tudo a ver os assuntos...), diria: com pau duro e química me viro. Literalmente, inclusive. Na verdade é tudo do que preciso, pau duro e química. "Só isso, amor?", gritarão uns chatos... Ok. Vinho tinto na temperatura certa também.
No mais, minha casa está pintando e as latas de tinta estão soltando seus gases venenosos no quarto do computador que vos fala. A máquina agüenta, mas eu não. Meus filhos aproveitam esses dias para ficar jogando The Sims direto, mas agora que eu senti que o ar está químico - e da pior maneira possível - , vou proibi-los.
Volto quando puder respirar por aqui.
Sincronicidade. A primeira vez que ouvi o termo foi pelo antigo sucesso do Police. Sinto muito, cultura pop é isso aí, que nem o slogan mais famoso da coca-cola, que não precisa mais ser citado, mas já foi. Mais tarde soube o que vem a ser sincronicidade, de acordo com a física, a filosofia e a psicanálise (Jung), só pra citar algumas áreas. Isso tudo pra dizer que a tal sincronicidade veio a mim mais uma vez com toda a sua força. E já que volta e meia perdia minhas inspirações por preguiça de anotá-las, e ultimamente pelo cheiro de tinta no quarto em que fica o computador, agora não terei desculpas. O pintor chegou em casa cheio de disposição para deixar minha casa mais arrumada e, por iniciativa própria, tirou as latas de tinta do quarto e pôs na varanda. Grande sacada. O ar do quarto está respirável; resta saber se a sincronicidade tocará meus textos também.
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Tem gente que acha a maior caretice fazer sexo só com quem se ama. Só? Nossa, isso é coisa demais. Amar alguém e fazer sexo com essa pessoa, e ainda ser ótimo: isso não é pouca coisa mesmo. Tem gente que não conhece o gosto que isso tem e se adianta dizendo que o bom é comer todo mundo por aí, com pressa pra comer mais gente... São os que sentem prazer nessa futilidade da carne... Pode até ser engraçado de vez em quando, pode-se até conseguir algum prazerzinho paralelo, mas não é nada de verdade.
Insight: Se as pessoas não estivessem por aí se envolvendo com as pessoas erradas, se liberassem essas pessoas, e isso pode ser uma questão cosmológica até, as pessoas estariam livres para viver estórias verdadeiras, de sentimentos verdadeiros, de tesão verdadeiro, com tudo acontecendo ao mesmo tempo, como numa sinfonia... de amor. Desculpe o pieguismo irresistível.
O amor romântico nunca foi tão revolucionário quanto agora; fugir desse fast food humano e poder dar um banquete à alma... O capitalismo quer mais é que todos se desencontrem e que achem nos bens de consumo - nos cigarros, nas comidas, nas roupas de grifes, nos artigos e tratamentos de beleza e onde mais o dinheiro puder circular - o que poderia estar disponível no afeto e amor verdadeiros. A amizade ainda sobrevive, mas o amor romântico saiu de moda. E por isso já deve começar a ser visto como transgressor para os que são vanguardistas.
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Fazer sexo com quem gosta e gostar do sexo que se faz com quem se gosta. Eis tudo.
"Deus nem sabe que você existe". Resposta a quem disse que só conta com Deus.
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Os clichês são o resumo rápido da vida. Tem gente que só conhece a vida pelos clichês, azar... Eu vou lá e vejo como é. Às vezes quebro a cara, e aí entendo a validade do clichê. Às vezes compreendo sem dor. O negócio é ter humor quando se sofre, ser auto-indulgente e rir de si mesmo quando o sofrimento é pura pieguice. Chego a cantar: "Eu tô tristão, tô sofrendo pra caralho", do pessoal do Casseta, pra me sentir mais patética. Agora, se o caso é mesmo de sofrimento, vamos respeitar. Eu sofro direito, sofro tudo, com dignidade. Eu aceito meu sofrimento quando é necessário. O sofrimento faz parte da vida, é um de seus muitos sabores. É só ler Sêneca e Schopenhauer, que já trataram da matéria...