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{quinta-feira, maio 06, 2004}

 

Aviso: o texto seguinte traz conteúdo algo escatológico a ser evitado por pessoas mais sensíveis e "enjoadinhas". Obrigada.




O amor confuso e o furúnculo





      Eu não aprovo esse homem 100% em seus modos, mas 18 cm eu aprovo – e muito. Pouco me importa se isso é razão suficiente para eu estar com ele algumas vezes, mas estou me convencendo agora de que estar com ele pelos 18 centímetros dele que valem a pena pode me fazer muito bem se eu não quiser dele nada mais que essa dose de qualidade.


      Não que ele não tenha outras qualidades, mas não as quero, porque trarão o homem inteiro junto, incluindo seus defeitos. Fico com os 18 centímetros que me dizem respeito e olhando em liberdade a vida em volta de mim.



       Hoje estive com ele e na volta em vez de pensar se fiz certo ou errado, apenas me dei conta de que fiz o que quis. Depois passei a cuidar do meu cabelo e dar atenção ao meu furúnculo, assuntos bem mais urgentes que as perguntas sobre o amor que eu poderia me fazer.



      Que amor que nada. Nosso assunto é outro: pele.



       E na parte de trás da minha coxa direita o que achei que fosse um pequeno pêlo encravado já evoluíra para furúnculo. Tentei não mexer, mas não resisti, parti para espremê-lo, mas ainda não estava no ponto. Também já não dava mais para fazê-lo retroceder, já que deixei o lugar mais vermelho e inflamado que antes. Um pouco de pus saiu, muito ainda está preso, em processo de maturação – ou seria apodrecimento? E aí me veio a analogia sobre o amor confuso e o furúnculo.



       Parece que há duas maneiras de tratar de um furúnculo. Ou você não mexe com ele, passa um medicamento que o seque e ele acaba reabsorvido pela pele sem estourar em pus (só estou usando termos leigos, evite ser médico agora), ou você esquenta o local ainda mais, acelera a inflamação, deixa o pus vir à tona e aí – puff! – espreme e expele toda a gosma amarela, até que no local fique um buraquinho, que aí você poderá tratar até secar.



       Qual caminho adotar, vai do bom senso de cada um. Se a inflamação ainda estiver no início, tente retrocedê-la com um gel específico ou até álcool. Se já entrou em processo de formação de pus, talvez seja o caso de acelerar a transformação do núcleo duro em gosma, para aí explodi-lo quando o mesmo já estiver bem cheio e cedendo à menor pressão.



       No meu relacionamento já segui os dois caminhos, tentei secá-lo, depois inflamá-lo ainda mais. Saiu um pouco de pus quando o espremi antes da hora e já não regride mais porque já entrou em processo acelerado de putrefação.



      Agora estou na fase de fomentar sua inflamação para poder limpá-lo de uma vez, quando o pus estiver no ponto. Claro que vivo atrapalhando o processo, espremendo de vez em quando, sem conseguir tirar todo o conteúdo e tentando retomar o segundo caminho de fazer a inflamação aumentar até que exploda.



       Estou aprendendo que se eu não interferir muito é melhor. Quando o furúnculo responder à medicação com antibiótico estará pronto para ser puncionado e soltar toda sua pasta podre.



       Enquanto isso, sigo me favorecendo dos 18 centímetros de carne do homem que achava que amava, sem mais tentar fazer de uma boa trepada o amor da minha vida. Fico sem o amor da minha vida, mas não perco a trepada.



       E enquanto a gosma ainda estiver em formação, vou respondendo sim aos apelos da pele.










posted by me 6.5.04

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