BLOG DE FICÇÃO, EXERCÍCIO LITERÁRIO E ALGUMAS VERDADES.
Acredite nas mentiras; desconfie das verdades.
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quarta-feira, março 12, 2003
Vida Nova
O namoro acabou. Ok. Sobrevive-se, elabora-se a dor e tal. O problema é, superada a agonia da perda, criar intimidade com um novo parceiro. A gente sabe que não é fácil. Depois da convivência com o ex, de todo o caminho de casal percorrido por vocês... Vai chegar outro na sua vida e você vai ter que dar todos aqueles primeiros passos de novo. A primeira transa, o primeiro embaraço, um arroto, um pum que escapolem... Essas bobagens. Ter que acordar na frente dele, um dia que a calcinha não esteja legal, a depilação vencida... Coisas que não atrapalhavam mais o seu antigo namoro, ou melhor, faziam daquele namoro um lugar confortável, do seu homem uma presença leve.
Como chegar para o outro de cara e ir dizendo que você adora fazer sexo vendo filme pornô, de preferência no sofá da sala, com a janela aberta... Dizer que gosta de uns tapas – de receber e de dar. Falar as primeiras sacanagens, dizer umas coisinhas mais fortes em qualquer lugar, dar uns amassos no elevador, uma patolada no carro... Um boquete a 80 quilômetros por hora... Umas aventurazinhas... Fazer papel de puta, ser chamada de cachorra, de vagabunda. Poder chamar o sujeito de priápico – se você tiver sorte de estar lidando com um.
Olha, entrar em sintonia não é fácil. Claro que com o tempo vem a intimidade e as coisas vão ficando mais fáceis. Mas vai que o cara é meio quietinho mesmo, pouco safado para os seus hábitos... Vai ter que remodelar o sujeito, mostrar com jeitinho o lado gauche da vida. Isso se ele tiver talento a desenvolver... Se não der em nada, vai dar um cansaço...