BLOG DE FICÇÃO, EXERCÍCIO LITERÁRIO E ALGUMAS VERDADES.
Acredite nas mentiras; desconfie das verdades.
Ah, o espaço para delírios é mais embaixo. Mais embaixo, sempre, né?
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segunda-feira, janeiro 06, 2003
Quando eu era pequena gostava de deitar no chão e ver tudo de cabeça pra baixo. O teto virava chão, o alto dos portais virava obstáculo a se transpor para se mudar de aposento. A sala ficava vazia, com todos os seus móveis colados no teto inventado.
Quando chovia era mais engraçado. A chuva parecia que ia entrar na minha boca. O vidro fechado era o escudo perfeito contra ela. Ali ficavam os pingos que não alcançavam meu céu da boca.
Ficava muito tempo assim, largada, vendo a vida ao contrário. E pensava (com palavras infantis que já não sei mais), pena que vivemos aqui embaixo, o teto pode ser tão acolhedor...
Nessa época minha casa tinha um carpete fofo cor de chocolate, que até hoje não sei se era de bom gosto. Ele ficava mais claro ou mais escuro, se alisado para lá ou para cá. Quando deitava para viajar até o teto, abria os braços e os mexia para mudar a cor do carpete e por graça na vida.